Sete crianças, ex-moradores de rua, pertencentes à Organização Não Governamental (ONG), O Pequeno Nazareno, participarão da 2ª edição do “Street Child Word Cup”(Copa do Mundo das Crianças de Rua), que será realizado, em março de 2014, no Rio de Janeiro. A Copa faz parte de um movimento global para dar visibilidade à problemática das crianças de rua, em todo o mundo, e para que recebam a proteção e as oportunidades que têm direito.
O cofundador do movimento, John Wroe, da Inglaterra, declarou durante coletiva, na manhã de ontem, no Estádio Presidente Vargas, que “o evento é mais do que um torneio. As crianças terão oportunidade de mostrar a realidade e as experiências que viveram nas ruas”. “O meu sonho está sendo realizado. Vou para o Rio de Janeiro. Eu era menino de rua, pedia dinheiro, e hoje, vou representar o Brasil”, disse Darlesson dos Santos, 14 anos da Ong O Pequeno Nazareno, que enfrentará as seleções da Índia, África do Sul, Filipinas e Paquistão, dentre outras.
Darlesson foi abondono pelos pais e recolhido pelo menos, há quatro anos, pela Ong localizada, na região de Maranguape, 30 km de Fortaleza. A Organização Não Governamental que, atualmente, é responsável por cuidar de 36 crianças e 72 jovens que recebem formação profissional, conta com a parceria de 80 empresas, para dar assistência a 100 famílias que vivem em condições de rua. “Eu ficava dormindo nos papelões, eles me perguntaram se eu queria ir [para a ONG], mas eu não queria. No outro dia, eles me pegaram pela mão, e me colocaram dentro do carro. Hoje, meu sonho é ir para o Rio de Janeiro, estou muito feliz, obrigada”, disse Darlesson, emocionado durante a coletiva.
Bernardo Rosemeyer, fundador d’O Pequeno Nazareno, relata que apesar da “notícia positiva”, de que a quantidade de crianças e adolescentes, nas grandes capitais, vem diminuindo, não pode-se mais aceitar que elas vivam em condições, sem possibilidades e sem portas abertas para realizarem seus sonhos, desejos de, principalmente, retornar um dia para as famílias. “O desejo dessas crianças é que nós, adultos, tenhamos a coragem e a vontade política de pavimentar um caminho que lhes dê a possibilidade de voltar para a sua própria referência familiar e comunitária”, disse revelando ter Fortaleza, cerca de 150 crianças dormindo nas ruas.
De acordo ainda com Rosemeyer, em 2014, o Governo Federal, por meio de um convênio com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, e com o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), deverá anunciar a primeira política pública do Brasil, para as crianças e adolescentes que pernoitam na rua. Em sua avaliação, a política tem que ser o alicerce para as mudanças substanciais nas condições de vida dessas famílias, que têm filhos e filhas, em situação de rua.
“Nós dependemos da boa vontade de alguns governos municipais para colocar educadores sociais trabalhando nas ruas. Não existe uma garantia de que as crianças que dormem nas ruas, sejam abordadas e acompanhas por um educador social. É preciso, principalmente, que haja a garantia de um acolhimento institucional, como financiamento e investimentos nas famílias, que ainda hoje estão em situação de moradia de rua”, afirmou.
Fonte: www.oestadoce.com.br
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